Câmara irá lembrar as nove décadas do início da marcha Coluna Prestes
No ano em que se completam 90 anos do início da marcha Coluna Prestes, o Poder Legislativo de Santo Ângelo irá realizar sessão alusiva à data. O evento acontece nesta sexta-feira, dia 30, no Plenário da Câmara de Vereadores.
A solenidade deverá contar com a presença de familiares dos combatentes, entre eles, Maria Prestes, viúva de Luiz Carlos Prestes e seu filho, Luiz Carlos Prestes Filho. Antes disso, às 11 horas, os familiares do idealizador da marchar serão recebidos pelo prefeito de Santo Ângelo, Valdir Andres.
Às 14 horas está prevista uma visita ao Monumento Coluna Prestes, situado na Avenida Ipiranga, e, em seguida, visita ao Memorial da Coluna Prestes e ao Museu Ferroviário.
Às 15 hora será realizada uma coletiva com a imprensa local e às 17 horas a Câmara de Vereadores de Santo Ângelo realizará sessão alusiva à data. A partir das 19h30min, no prédio 5 da URI – campus Santo Ângelo, acontece palestra e lançamento do Livro "90 Anos da Coluna Prestes", de autoria de Maria Ribeiro Prestes.
Sobre o movimento
A Coluna Prestes é considerada um dos momentos decisivos da história política brasileira no início do século XX. Ela fez parte do chamado movimento tenentista, que representou um dos pontos altos da oposição democrática à República Oligárquica (1889-1930). Seu marco inicial foi o Levante do Forte de Copacabana, ocorrido em 5 de Julho de 1922. Nele alguns jovens oficiais – que ficariam conhecidos como os “18 do forte” - enfrentaram o poderio das forças governistas. Nesse conflito desigual apenas dois revoltosos sobreviveram: Eduardo Gomes e Siqueira Campos.
O segundo levante tenentista ocorreu em 5 de Julho de 1924 em São Paulo, com a adesão da Força Pública Estadual, o que obrigou o governador e chefe militar da região a abandonarem a capital paulista. O presidente Artur Bernardes decretou estado de sítio e, numa atitude inédita, autorizou o bombardeio da cidade. Os tenentes conseguiram romper o certo governista e se dirigiram para o interior, seguindo até o Paraná.
Em 28 de outubro de 1924, em solidariedade aos revoltosos paulistas que continuavam lutando, vários quartéis do Rio Grande do Sul se insurgem, entre eles o Batalhão Ferroviário de Santo Ângelo comandado pelo jovem capitão Luiz Carlos Prestes, que posteriormente viria a se tornar senador da República (1946-1948), pela legenda do Partido Comunista do Brasil (PCB).
Unido a outros revolucionários – como Antônio de Siqueira Campos, Osvaldo Cordeiro de Farias e João Alberto Lins de Barros – inicia sua cruzada libertadora que percorreria quase todo o país. No Paraná a coluna gaúcha se encontraria com a coluna paulista e formariam a Coluna Miguel Costa-Prestes.
Desde o início se agregaram ao movimento insurgentes civis ligados aos grupos políticos dissidentes no estado do Rio Grande do Sul, conhecidos como maragatos, e dezenas de mulheres, que prestaram relevantes serviços de apoio aos soldados. Em fevereiro de 1926 os comandantes da Coluna apresentaram o documento Motivos e Ideais da Revolução, onde se diziam contrários “aos impostos exorbitantes, desonestidade administrativa, falta de justiça, mentira do voto, amordaçamento da imprensa, perseguições políticas, desrespeito à autonomia dos estados, falta de legislação social, reforma da Constituição sob o Estado de Sítio” e proclamavam ideais libertários.
A Coluna Prestes, como ficou conhecida, percorreu uma distância de 25 mil km, atravessando 11 estados brasileiros: do sul, sudeste, centro-oeste e nordeste. Fato que fez dela uma das maiores marchas militares da história mundial. A saga terminou em 3 de fevereiro de 1927, quando Prestes se internou na Bolívia com 620 combatentes, e Siqueira Campos se abrigou no Paraguai com 65 de seus homens. Por não ter sido derrotada, apesar dos esforços empreendidos pelos governos federal e estaduais, ganhou a denominação de Coluna Invicta.
Prestes em Santo Ângelo
Sendo a Capital das Missões o município de onde partiu o movimento, Santo Ângelo conta com o Memorial Coluna Prestes, inaugurado em 17 de dezembro de 1996 que é composto de dois Museus.
A Capital das Missões possui, ainda, dois monumentos, sendo um deles a Coluna Invicta, de aproximadamente oito metros de altura, de ferro fundido, partindo de uma base com três metros de diâmetro que representa o mapa do Brasil com o traçado do percurso realizado pela Coluna Prestes. Trabalho do escultor Maurício Bentes e se encontra no largo do Memorial Coluna Prestes.
O outro o Monumento à Coluna Prestes, construído em concreto armado com 15 metros de altura. Em forma sinuosa e estilizada, expressando a Marcha Revolucionária, trajetória de 25 mil quilômetros pelo interior de quinze Estados do Brasil.